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Chegou a hora e vez dos veganos e vegetarianos

Se seu bar, restaurante, padaria ou lanchonete ainda não tem opções veganas e vegetarianas, está na hora de repensar sua decisão. Muito mais que uma afinidade com a causa, apostar nesse segmento é uma decisão estratégica. Dados do Ibope, de maio deste ano, mostram que já são 30 milhões de brasileiros que optam por uma alimentação livre de carnes ou qualquer produto de origem animal. “Não é modinha, é uma tendência que veio para ficar”. Com essa frase, a sócia-fundadora da Rede Consciente, empresa que conecta produtores e compradores de produtos veganos para o food service, Carol Costa, resume a força de um mercado que cresce rapidamente em todo o mundo.

Nos Estados Unidos, segundo pesquisa da Nielsen, houve crescimento de 8,1% do mercado vegano somente no último ano, movimentando US$ 3,1 bilhões. Já no Brasil, no mesmo período, esse segmento deu um salto de 40%, de acordo com cartilha desenvolvida pela Sociedade Vegetariana Brasileira (SVB). Estudo realizado pela consultoria Galunion mostra ainda que no País, 98% dos consumidores veganos e vegetarianos se alimentam fora de casa, sendo que 59% o faz ao menos duas vezes por semana, priorizando o almoço (mais de 70% dos entrevistados). Embora os números apontem uma evolução na demanda, ela ainda é limitada no mercado da AFL. 

Pelo menos é essa a análise feita por Carol, da Rede Consciente, por Elton Bastos, campaiger do programa Opção Vegana, e por empresários e consumidores ouvidos pela revista Bares & Restaurantes. “Hoje ainda tem pouca opção ou pouca opção de qualidade, há uma repressão do mercado. A partir do momento em que o empresário apresenta uma opção indulgente, acaba se destacando e atraindo uma clientela que não tinha”, afirma Elton.

Por indulgente, ele caracteriza os pratos que o consumidor percebe como tendo sido feitos pensando nele, considerando suas escolhas alimentares. No estudo feito pela Galunion, ao responderem a pergunta “do que você não abre mão quando se alimenta fora de casa?”, o fator indulgência aparece em quarto lugar entre os respondentes vegetarianos (23%). Nos três primeiros lugares aparecem, nessa ordem: pratos saudáveis (69%), pratos feitos com ingredientes de qualidade (56%), pratos elaborados com ingredientes frescos (52%), sendo que esses dois últimos foram destacados também pelo público não-vegetariano como fatores primordiais na escolha. 

Para atender essa demanda reprimida de forma efetiva, Carol Costa chama atenção para a importância de ofertar mais de uma refeição vegana∕vegetariana no cardápio, afim de não “infantilizar esse consumidor”, restringindo suas escolhas. “Se você tem um queijo vegano numa pizzaria, consegue facilmente oferecer muitas opções”, exemplifica, mostrando que a partir de um único queijo é possível trabalhar uma grande variedade de recheios, a exemplo do que já é feito com as pizzas a base de muçarela.

Na opinião de Carol, os restaurantes que estão em associações são os que mais buscam inovações. “O cara que está com a cabeça só no negócio dele, geralmente, não quer mudança”, decreta.

Cartaz para download no site do programa Opção Vegana pode ser colado nos estabelecimentos que oferecem esse tipo de alimentação

 
Vegano X vegetariano

Antes de pensar no cardápio que contemple o crescimento desse público, é preciso ter clareza sobre as diferenças entre os consumidores veganos e vegetarianos. Vegetarianos são as pessoas que escolhem uma alimentação livre de quaisquer carnes (porco, boi, aves, peixes, crustáceos, etc). Já os veganos, além das carnes e partes dos animais (gelatina e óleo de peixe, por exemplo), não consomem nada de origem animal, incluindo leites e derivados (queijos, iogurte, manteiga, etc), ovo, mel de abelha e até mesmo corantes de origem animal utilizados em alguns produtos.

Destino certo

A cartilha elaborada pelo projeto Opção Vegana, que orienta empresários e traz vários dados relevantes sobre esse mercado no Brasil, também chama a atenção para um comportamento batizado de “voto de veto”, que caracteriza a tomada de decisão de um grupo quando há a presença de ao menos um vegano∕vegetariano: a falta de alternativa de pratos que atendam esse consumidorpode fazer com que todo um grupo de pessoas opte por outro estabelecimento, que trabalha com um cardápio mais inclusivo.

O coordenador de acervo da TV Brasil São Paulo, Fábio de Albuquerque, é vegetariano há cinco anos e conta que em seu círculo de relacionamento, percebe nitidamente o poder de veto dos lugares que não atendem sua escolha alimentar nas saídas em grupo. “Vejo isso todas as vezes que saio com meus amigos. Sou uma das pessoas que decide o destino, muitas vezes eles até preferem conhecer um lugar novo, com uma pegada mais saudável”, comenta.

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