Início Sem categoria Corumbá 240 anos, a jovialidade de quem conta boas histórias

Corumbá 240 anos, a jovialidade de quem conta boas histórias

Foto Marco Calábria

Uma das cinco maiores cidades de Mato Grosso do Sul, com mais de 100 mil habitantes e um território de km quadrados – o segundo em extensão no País -, Corumbá completa neste 21 de setembro de 2018 seus 240 anos de fundação. Para qualquer tipo de abordagem jornalística ou literária sobre a Cidade Branca é preciso ir à história e contando histórias.

A importância de Corumbá é singular em seu impressionante protagonismo social, político, econômico, cultural e humano desde que, por ordens do capitão-general Luiz de Albuquerque de Mello Pereira e Cáceres, o sargento-mor Marcelino Roiz Camponês, em 1778, fundou o vilarejo Nossa Senhora da Conceição do Albuquerque. Não era, porém, um simples vilarejo. Era uma comunidade instalada em ponto estratégico e avançado às margens do Rio Paraguai, na extremidade do Pantanal no oeste brasileiro, bem no trecho mais navegável para a atividade comercial.

Com isso, a comunidade ribeirinha prosperou, especialmente a partir do século 19, quando a cidade portuária tornou-se numa espécie de capital econômica de Mato Grosso, atraindo embarcações de diversos países europeus e sul-americanos com seus produtos, povos e culturas de tantas influências na língua, no comportamento e numa compreensão universalista de sociedade. Do Brasil, além das demandas comerciais e socioeconômicas, a navegação comercial militar também contribuiu com a ocupação demográfica da região, na fronteira com a Bolívia.

O fenômeno de afirmação populacional e civilizatória teve duplo processamento: de um lado, pela influência colonizadora de brasileiros de várias regiões e de estrangeiros (sobretudo europeus, árabes e latino-americanos); e de outro lado, como berço e/ou fonte de formulações existenciais e comportamentais próprias, produzidas pelas experiências de quem se nutria dos ambientes culturais e naturais. Afinal, o Pantanal e as riquezas minerais sempre constituíram itens irresistíveis e diferenciados entre as maravilhas corumbaenses.

Em população, é o quarto município do Estado e o 18° do Centro-Oeste. É ainda o 11º maior município brasileiro e o maior do Centro-Oeste, um dos maiores em extensão territorial no mundo, com 64,9 mil km quadrados, superior a vários países, entre os quais a Suíça, a Estônia e a Eslovênia. Corumbá abriga também um dos rebanhos de gado bovino mais populosos do Brasil, uma das maiores minas de manganês e uma das mais ricas e diversificadas coleções de espécies da fauna e da flora dentro do Bioma Pantanal, uma das reservas declaradas como patrimônios ecológicos da humanidade.

Pelo Rio Paraguai, nos primórdios, e pelos acessos rodoviário e ferroviário que se materializaram já nos séculos 19 e 20, ocorreram vários episódios de ocupação e conflitos políticos e demográficos, como nas incursões de navegadores espanhóis e portugueses e na Guerra contra o Paraguai, quando Corumbá chegou a ser conquistada pelos soldados de Solano Lopez e foi retomada por Antonio Maria Coelho.

Tudo isso forneceu aos corumbaenses – e pantaneiros em geral – um caldo cultural dos mais sortidos. Suas festas tradicionais estão entre as mais concorridas do País, como o carnaval de rua e o Banho de São João. Amontoam-se nos arquivos e se apresentam ano a ano as safras de talentos em diversas áreas, dos esportes à política e aos negócios, porém com ênfase destacada nas artes.

A música, a literatura, a dança, o teatro e a pintura têm identidades expressivas e sempre renovadas na cidade cujo nome, em tupi-guarani, significa “banco de cascalho”, mas segundo a “Lenda Bororo”, poema do corumbaense Pedro de Medeiros, escrito na primeira metade do século 20, tem outra significação, como sugerem seus versos: “Deus atirou no céu um punhado de estrelas/Uma chegou à terra, outras tardam ainda/A que chegou, por certo a mais luzente delas/Veio e se transformou numa cidade linda”.

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