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Roberto Higa: um pouco mais sobre o homem e o fotógrafo

Roberto Higa quando era criança (reprodução internet)

Se você já procurou alguma foto sobre a história do nosso Mato Grosso do Sul ou Mato Grosso, no google, ou em qualquer outro site de buscas, jornais antigos, recortes em bibliotecas públicas, e encontrou uma foto em preto e branco, com a marca d’água Roberto Higa, logo no centro, você encontrou história, não somente uma fotografia.

Conceição dos Bugres, por Roberto Higa

O nosso entrevistado especial de hoje, é o incrível Roberto Higa, ou apenas Higa.

Roberto Higa, 67 anos, nasceu em Campo Grande no dia 26 de novembro de 1951. Seu primeiro contato com a fotografia e com o fotojornalismo, se deu através do fotógrafo Danton Garro, quando trabalhou como office boy no Diário da Serra, em Mato Grosso, antes da divisão do Estado.

Ele nos conta sobre sua aproximação com a fotografia e o fascínio pelo trabalho do colega citado “Danton já havia, naquela época, coberto 4 copas do mundo, por vários jornais e revistas do Brasil. Foi ele que me deu oportunidade no fotojornalismo”. Queremos registrar aqui, nossos agradecimentos ao Danton, por fazer com que tal profissional, com tamanha dedicação, possibilitasse um novo horizonte ao fotojornalismo e a fotografia no Mato Grosso do Sul.

Para Higa, o grande momento de sua carreira foi e sempre será o dia em que o “Seu Danton” lhe apresentou o laboratório fotográfico do Diário da Serra. “Vi uma imagem sendo projetada através do ampliador e aparecer em um papel, depois na banheira de revelação. Eu me encantei.” Pra quem não viveu essa época, a magia da revelação é algo que encanta a maioria das pessoas que trabalham com fotografia. Captar um momento, registrar a vida, e em seguida, eternizá-la em um papel, é e sempre será incrível.

Nesse túnel do tempo, nosso fotógrafo comenta que no início dos anos 70 foi motivado, de maneira diferente, a fazer algo de importante na sua vida. Na verdade, foi meio que um empurrão, nas palavras do mesmo, que, por uma desilusão do coração, decidiu colocar o pé na estrada e partir para São Paulo.

Em São Paulo, trabalhando em alguns jornais e fazendo muitos freela’s, tomei conhecimento e gosto pelo fotojornalismo” conta Higa.

Foto: Roberto Higa / Reprodução. Legenda: Pessoas nas ruas de Campo Grande, comemorando a divisão do Estado (1977).

Quando o indagamos, sobre ser um dos poucos profissionais que puderam registrar boa parte da história de Mato Grosso e, por conseguinte, de Mato Grosso do Sul, ele comenta “Vários fotógrafos registraram o que eu registrei. Mas no meu caso, foi tudo por amor a Campo Grande, e ao meu Mato Grosso e, agora, Mato Grosso do Sul. Sempre digo: pode existir pessoa que goste de Campo Grande e Mato Grosso do Sul, tanto quanto eu. Mas ninguém gosta mais do que eu.”

Neste gancho, Higa prefere não citar qual seria o profissional que recebe sua admiração por seu trabalho, pois, de forma discreta, tem medo de deixar alguns dos milhares e excelentes profissionais que existem em nosso MS.

E o que Roberto Higa faz nas horas vagas? A resposta é: fotografar, só fotografar. E claro, pensar no que ele vai fotografar.

Higa também fala de política, “Precisamos de sangue novo aqui. Gente daqui, que invista aqui. Não de pessoas que tenha nossa cidade e Estado como um lugar pra ganhar dinheiro e investir em sua terra natal. A próxima eleição é uma bela oportunidade. Nós só temos poucos mais de 40 anos como Estado. Temos uma vida pela frente.”

Higa por Higa
Foto: Roberto Higa / Reprodução Internet

Pergunta final para nosso entrevistado: Higa por Higa?

O Higa é um sujeito que sempre lutou e brigou por uma cidade mais humana. Uma das razões que me fez ser fotojornalista. Já viu nossos salários na carteira profissional?” finaliza brincando.

Em uma breve análise e, ao que tudo indica, Roberto Higa, o fotógrafo, o homem e o apaixonado por este Estado, não trabalha a vida toda para ter destaque. Ele trabalha por amor. E é muito difícil encontrar quem faz do seu trabalho, sua arte e sua própria alegria hoje em dia. O fato de Higa se destacar em sua profissão, nos parece fruto de tudo que ele foi, é e será.

Quando colocamos na pauta a entrevista com o Higa, ficamos pensando por onde seria viável começar. Afinal de contas, existem outras entrevistas com ele. A maioria fala sobre sua história com o Mato Grosso do Sul, assim como iniciamos aqui. Mas, o que nós queremos mesmo é levar para você, leitor do Cultura MS, um pouco da essência deste profissional que capturou através do tempo todo o desenvolvimento do nosso Mato Grosso do Sul. Ele procurou se reinventar. Foi pra fora da sua zona de conforto. Voltou, e, por amor as suas origens, permaneceu aqui. Nos resta continuar almejando passos maiores, na espera de que sempre exista pessoas como Roberto Higa, que levantem a história e a cultura do nosso Estado. Obrigado Higa!

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