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Uma Flor no Quilombo, Uma Flor na Canindé

Foto: Divulgação Facebook e Internet, Carolina Maria de Jesus (esquerda) e Sirlene Jacquie de Paula Silva (direita)
Quarto de Despejo: Diário de uma Favelada

Quem abriu o site de pesquisa Google nesta manhã, viu que eles estão fazendo uma homenagem a escritora negra Carolina Maria de Jesus, que completaria 105 anos hoje, 14 de março. Seguinte a ele, uma série de sites de notícias começaram a falar sobre a escritora, de origem humilde, que sofreu muito e batalhou para chegar onde queria ao obter sucesso na publicação do seu livro Quarto de Despejo: Diário de uma Favelada(1960). O interessante do livro é que Carolina narra histórias da favela Canindé, onde foi morar após a morte de sua mãe, em Sacramento/MG. A escritora aproveitava os dias de folga para ler os livros da biblioteca de seu patrão, o cardiologista Jesus Zerbini, que a empregou logo quando a mesma chegou a SP.

Imagem: Divulgação Google

Pois bem, dados relatados, vamos dar mais sentido a nossa história comparativa. Por que estamos falando de uma Mulher Negra, nascida no interior de Minas Gerais, que foi morar em uma favela de São Paulo e que conseguiu se destacar entre tantos com a publicação de um livro? É simples, nós também temos uma história parecida com essa, aqui em Mato Grosso do Sul. Claro que sem tantas fontes e relatos de sofrimento, mas com um mesmo fim: a publicação do livro de uma Mulher Negra.

Livro Flor do Quilombo

Começamos falando de Sirlene Jacquie de Paula Silva, autora do livro Flor do Quilombo. Sirlene nasceu e morou na comunidade quilombola Furnas do Dionizio, no município de Jaraguari/MS. Descobrimos que atualmente ela reside em Cassilândia/MS. A história do livro de Sirlene é narrada pela personagem Luanda. Durante a leitura, fica claro que Luanda é uma personagem que se assemelha a Sirlene, mas, de todo modo, é uma história. Da mesma forma que Carolina Maria de Jesus falava sobre a favela onde morava, Sirlene também procede da mesma maneira, só que através da personagem Luanda.

Os “causos”, costumes e até a aproximação com um querido professor fazem parte dos relatos. A autora teve ajuda de dois professores da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul para publicar o livro (Professor Dr. Ivan Russeff e a Professora Dra. Vanderleia Paes Leite Mussi). Sabemos também que eles auxiliaram Sirlene na escrita, organização, edição de texto e até mesmo a correr atrás de uma editora para publicação do livro. Era o sonho de Sirlene, escrever e publicar um livro. E depois de algum tempo, o sonho aconteceu.

O livro Flor do Quilombo é pouco conhecido na literatura Sul-mato-grossense. Não deveria ser, pois é uma obra de conteúdo, com relatos históricos, de gerações e costumes. Mas isso não acontece só com Sirlene e sua história. Isso acontece com boa parte das mulheres que publicam algo. Isso é um fato na história que demorará a ser reparado, mas será pelas mãos das próprias mulheres, com suas revoluções, cada uma em sua particularidade e depois em união, nas ruas, em suas escrivaninhas, em suas artes, canções, etc.

É importante que a revolução feminina exista ao passo que, algum dia, todas consigam conquistar seus sonhos e sucesso ainda em vida. Nosso mundo precisa de pessoas interessadas em relatar a vida como ela é. E a literatura precisa de histórias que possibilitem aquecer sonhos para transformá-los em realidade.

Viva as Mulheres!

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